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Seja homem grande

Sep. 16th, 2007 | 07:16 pm

Sorocaba - SP


Dias atrás, estava voltando de São Paulo no meu inseparável Scania da Cometa e como era noite e não tinha nada melhor a fazer, encostei minha cabeça na poltrona e devo ter adormecido.

Jesus de Nazaré voltava de uma de suas intermináveis caminhadas e encontrou Martin Luther King sentado próximos a uns barcos. Algumas pessoas estavam à sua volta e ouviam-no discursar com veemência: “Eu tenho um sonho...”. Mais adiante, estava Gandhi, andando para lá e para cá, discursando a outro grupo, todos vestidos com túnica de tecido feito em casa e ele dizia: “É preciso resistir pacificamente...”. Pouco mais à frente, sentado junto à mesa de um quiosque estava Dostoievski repetindo a história do Grande Inquisitor, tendo Tolstoy a seu lado e cabisbaixo. O Mestre parou e olhou em minha direção, come se estivesse requisitando minha presença. Caminhei em sua direção, a passos largos e detive-me à sua frente. Então me perguntou: O que me diz desses homens? Respondi: São grandes homens. Ele retrucou, vá e faça o mesmo.

Senti algo tremendo em meu bolso. A primeira coisa que pensei foi em um rato. Rato no bolso da camisa? Não pode ser. Aí uma voz ridícula começou a gritar: Aloou, aloou. Ah! Já sei, é o celular. Esse maldito sai de fábrica gritando meu nome. Como eles sabiam, não faço nenhuma idéia. Enfim atendi. Era a Dedé que foi logo perguntando se estava dormindo. Confirmei. Já havia esquecido do sonho no ônibus. Quando sentei para escrever, lembrei.

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Faça o mesmo

Mar. 1st, 2007 | 12:32 pm

Sorocaba (Prefeitura e  o fundador em frente ao Mosteiro de S. Bento)


Dias atrás, estava voltando de São Paulo no meu inseparável Scania da Cometa e como era noite e não tinha nada melhor a fazer, encostei minha cabeça na poltrona e devo ter adormecido.

Jesus de Nazaré voltava de uma de suas intermináveis caminhadas e encontrou Martin Luther King sentado próximo a uns barcos. Algumas pessoas estavam à sua volta e ouviam-no discursar com veemência: “Eu tenho um sonho...”. Mais adiante, estava Gandhi, andando para lá e para cá, discursando a outro grupo, todos vestidos com túnica de tecido feito em casa e ele dizia: “É preciso resistir pacificamente...”. Pouco mais à frente, sentado junto à mesa de um quiosque estava Dostoievski repetindo a história do Grande Inquisitor, tendo Tolstoy a seu lado e cabisbaixo. O Mestre parou e olhou em minha direção, come se estivesse requisitando minha presença. Caminhei em sua direção a passos largos e detive-me na sua frente. Então me perguntou: O que me diz desses homens? Respondi: São grandes homens. Ele retrucou, vá e faça o mesmo.

 
Senti algo tremendo em meu bolso. A primeira coisa que pensei foi em um rato. Rato no bolso da camisa? Não pode ser. Aí uma voz ridícula começou a gritar: Aloou, aloou. Ah! Já sei, é o celular. Esse maldito sai de fábrica gritando meu nome. Como eles sabiam, não faço nenhuma idéia. Enfim atendi. Era a Dedé que foi logo perguntando se estava dormindo. Confirmei.

Já havia esquecido do sonho no ônibus. Quando sentei para escrever hoje, lembrei.

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São Paulo

Jan. 6th, 2007 | 06:23 pm




Pateo do Colégio e Estação da Luz

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A Prisão de João Batista

Jan. 6th, 2007 | 06:01 pm

Enquanto caminhávamos, ouvimos vozes exaltadas e o povo alvoroçado. Algo havia acontecido. Percebi certa inquietação no Mestre. Ele parou  e apoio-se em uma árvore. Seu olhar estava distante. Resolvi caminhar até um grupo de homens a uns cem passos de distância. Cumprimentei-os e perguntei se havia acontecido algo significativo. As palavras foram duras. Segundo eles, Herodes havia ordenado a prisão de João Batista.

 Voltei ao Mestre. Antes de qualquer anúncio, ele me disse. “Essa prisão levará João ao fim de seus dias.” Fiquei mudo. Retomamos nossa viagem, nosso destino era a Galiléia.

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Os ares da Galiléia

Nov. 10th, 2006 | 11:27 pm




Durante quatro dias, andei com o grupo de judeus meus amigos. Dormimos uma noite no deserto, para experimentar a sensação do lugar. Não posso dizer que foi a experiência mais cômoda da vida. O frio era cortante e me incomodou demais. Um dos guias percebeu meu desconforto e tentou amenizá-lo com mais uma túnica de pelo de camelo. Estava cansado, embora agradecido, de andar em busca dos feitos de David e das evidências deixadas por Salomão. Assim, decidi voltar e empreender uma busca pessoal segundo meus anseios mais pessoais.

Descansei no quinto dia. Meu maior exercício foi andar pelas lojas de Jerusalém e orar no muro das Lamentações.

Na manhã do sexto dia, deixei o hotel bem cedo no Land Hoover e segui rumo norte. Pouco tempo depois, passava por Jericó. Não parei, pois, tinha estado ali um dia inteiro e nosso guia não nos poupara em contar toda a história de Josué. Parece que eu a conhecia melhor do que ele.

Enquanto dirigia, mantendo uma velocidade lenta (por volta dos 80 kms por hora) só consegui pensar no momento único que estava vivendo. Aquele privilégio de andar onde ele andou. Reconstruir seus passos e relembrar suas palavras, seus gestos, sua missão e mensagem. Acho que em alguns momentos desprendi-me das amarras materiais desse mundo.

Cheguei a Fasael. Parei junto a um comércio de beira de estrada. Bebi água, sentado junto a uma mesa suja e mal cuidada. Ninguém me serviu ou deu importância. Sentia uma estranha sensação de estar prestes a viver algo inusitado. Não consegui ficar muito tempo ali. Voltei para o carro e continuei a viagem. Os pensamentos voltaram. Via o mestre com Maria e Marta, no barco com os discípulos e suas palavras ecoando em meus ouvidos. Parecia uma peça teatral caminhando para o ápice.

Então, vi Sebaste. Meu pé direito estava adormecido. Precisei parar. Agora encontrara um lugar limpo e bem cuidado. Uma jovem me serviu com alegria. Primeiro tentou comunicar-se comigo em árabe (todo mundo fazia isso), depois em hebraico e ai em inglês. Foi possível manter uma conversa trivial com ela, durante uns minutos. Comi pão com um creme delicioso (sem saber do que era). Fiquei ali uma hora ou mais. Meu pé voltou ao normal e resolvi voltar à estrada. Estava resolvido a chegar logo em Nazaré. Despedi-me de minha nova amiga que, surpreendentemente, me beijou a face e me desejou paz.

Esse foi o trecho mais penoso da viagem. O tempo parecia não passar e minha ansiedade cresceu muito. Imaginar que, finalmente, pisaria o solo da Galiléia, onde o Homem passou a maior parte de seus dias nesse planeta, tornou-se superlativo, agigantou-se em minha mente pecadora e começava a não suporta-lo.

Enfim, Nazaré. Um de meus amigos judeus me dera uma endereço ali. Era de alguém acostumado a hospedar pessoas em viagem pela Terra Santa. O nome do homem era Joshua. Não demorei muito a encontrá-lo. Ele estava me esperando. Alguém o avisará da minha chegada. Fui muito bem recebido ali. Embora cristão, todos me trataram como se fosse judeu. Apesar de que, hospedar cristãos não era incomum para esse homem de olhar esperto e atitude comercial. A família toda trabalhava na hospedaria de Joshua. Sua esposa e vários filhos. Não consegui entender quantos eram. Alguns eram filhos dele, mas, não de sua esposa. Isso me levou a pensar que ele tinha mais de uma mulher. Eles não eram religiosos, mas, conheciam bem os rituais. Joshua conversou bastante comigo e me deu informações preciosas sobre a Galiléia.

Não tive uma noite de sono muito profundo. Acordei várias vezes e pensei muitas coisas desencontradas.

Na manhã seguinte, deixei meu amigo e sua família seguindo para meu objetivo maior. Passei ao largo de Séforis e apertei o acelerador, um pouco mais. A emoção estava crescendo, novamente. Finalmente, Tiberiades. Rumei para um hotel indicado por Joshua, de frente para o lago. Meu apartamento tinha duas janelas e eu as abri completamente. Era inacreditável: estava em frente ao lago onde tantas maravilhas aconteceram, envolvendo o Nazareno mais famoso da Terra. A margem estava grande devido à seca daqueles dias. Crianças brincavam, pessoas caminhavam. Interessante notar que até hoje há pesca no lago.

Não agüentei esperar. Sai do hotel, atravessei a rua e fui para a margem do lago. Pisei o solo sagrado. Andei para lá e para cá. Não consigo descrever minha emoção. Acertei em decidir que precisava viver aquele momento sozinho. Sentei no chão e fiquei olhando as águas calmas a minha frente. Um cheiro chegou ao meu olfato. Virei e vi um homem, uns 50 metros de onde eu estava, assando peixes. Tive a impressão de um aceno. Levantei a caminhei em sua direção. Quando cheguei perto ele me disse: Venha comer. Não tive coragem de perguntar quem era ele. Sabia que era o Mestre. Aproximou-se, tomou o pão e me serviu e depois o peixe. Esperou que eu terminasse a refeição. Serviu-me um copo com vinho. Não me lembro de ter tomado nada melhor.

Depois de comer perguntou-me: “Luiz, filho de Nivaldo, você me ama mais do que a estes (apontando os pescadores que trabalhavam ali perto)?
Disse-lhe: “Sim Senhor, tu sabes que te amo.”
Disse ele:” Cuide dos meus cordeiros”.
Afastou-se e serviu uns meninos. Voltou a mim.
Novamente Ele disse: “Luiz, filho de Nivaldo, você me ama?”
Respondi-lhe: “Sim Senhor, tu sabes que te amo.”
Disse Ele: “Pastoreie as minhas ovelhas”.
Saiu de perto outra vez, foi até os pescadores e falou com eles. Logo retornou e direto em minha direção.
Pela terceira vez, ele disse: “Luiz, filho de Nivaldo, você me ama?”
Fique magoado por ter perguntado de novo se eu o amava e disse-lhe: “Senhor tu sabes todas as coisas e sabes que eu te amo”.
Disse Ele: “Cuide de minhas ovelhas. Digo-lhe a verdade: Quando você era mais jovem, vestia-se e ia para onde queria; mas quando for velho, estenderá as mãos e outra pessoa o vestirá e o levará para onde não deseja ir”.
Então me disse: “Siga-me!”
Não consegui me mexer dali, durante horas. Assisti o ocaso mais lindo que já vira. O Homem veio, colocou a mão em meu ombro, olhou direto em meus olhos e sorriu, levemente. Virou-se e desapareceu.

Voltei para o hotel, segui direto para o meu quarto e atirei-me na cama. Dormi o sono dos justos. Acordei com o calor do sol de um novo dia e perguntado-me: “Que sonho fora aquele?”

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